quarta-feira, 3 de Fevereiro de 2010

Campo de Batalha


Armas morteiras
na mira do amor certeiras.
Balas que disparam sem saberem
que atingem quereres sem quererem
neste mar imenso condenado à ondulação
com vagas de descomunal dimensão
que assolam desmesurado coração
e consomem desmedida paixão!

Lutam rios com oceanos.
Batalham dias com anos.
Gladiam-se sonhos com vidas reais.
Combatem soldados com generais!
Sobrevivem... amores e desamores!
Do icerberg, o visível dissimula o fortalecido invisível.
Mas... vence a hipocrisia que se mais avoluma, falhada
conquista no viciado campo de batalha!

E batem-se palmas de vencedores, iludidas
a camuflarem verdades anestesiadas
que o tempo as ditou mais irreais que as derrotas no campo estendidas.
Mais uma ilha submersa que se forma sem plataforma!
E o guerreiro exausto de vitórias sem forma
olha o sangue que lhe está agarrado
seguindo o rasto da dor de ser vencedor desta batalha.
Seu sangue ligado ficou ao chão derrotado!

Graciete Belo Maciel

terça-feira, 2 de Fevereiro de 2010

CICLOS DA VIDA - Paulo Coelho

Sempre é preciso saber quando uma etapa chega ao final.
Se insistirmos em permanecer nela mais do que o tempo necessário, perdemos a alegria e o sentido das outras etapas que precisamos viver.
Encerrando ciclos, fechando portas, terminando capítulos, não importa o nome que damos.
O que importa é deixar no passado os momentos da vida que já se acabaram.
Foi despedido do trabalho?
Terminou uma relação?
Deixou a casa dos pais?
Partiu para viver em outro país?
A amizade tão longamente cultivada desapareceu sem explicações?
Você pode passar muito tempo se perguntando por que isso aconteceu.
Pode dizer para si mesmo que não dará mais um passo enquanto não entender as razões que levaram certas coisas, que eram tão importantes e sólidas em sua vida, serem subitamente transformadas em pó.
Mas tal atitude será um desgaste imenso para todos: seus pais, seu marido ou sua esposa, seus amigos, seus filhos, sua irmã...
Todos estarão encerrando capítulos, virando a folha, seguindo adiante, e todos sofrerão ao ver que você está parado.
Ninguém pode estar ao mesmo tempo no presente e no passado, nem mesmo quando tentamos entender as coisas que acontecem connosco.
O que passou não voltará: não podemos ser eternamente meninos, adolescentes tardios, filhos que se sentem culpados ou rancorosos com os pais, amantes que revivem noite e dia uma ligação com quem já foi embora e não tem a menor intenção de voltar.
As coisas passam e o melhor que fazemos é deixar que elas realmente possam ir embora.
Por isso é tão importante (por mais doloroso que seja!) destruir recordações, mudar de casa, dar muitas coisas para orfanatos, vender ou doar os livros que tem.
Tudo neste mundo visível é uma manifestação do mundo invisível, do que está acontecendo em nosso coração e o desfazer-se de certas lembranças significa também abrir espaço para que outras tomem o seu lugar.
Deixar ir embora.
Soltar.
Desprender-se.
Ninguém está jogando nesta vida com cartas marcadas.
Portanto, às vezes ganhamos e às vezes perdemos.
Não espere que devolvam algo, não espere que reconheçam seu esforço, que descubram seu génio, que entendam seu amor.
Pare de ligar sua televisão emocional e assistir sempre ao mesmo programa, que mostra como você sofreu com determinada perda: isso o estará apenas envenenando e nada mais.
Não há nada mais perigoso que rompimentos amorosos que não são aceites, promessas de emprego que não têm data marcada para começar, decisões que sempre são adiadas em nome do "momento ideal".
Antes de começar um capítulo novo é preciso terminar o antigo: diga a si mesmo que o que passou, jamais voltará.
Lembre-se de que houve uma época em que podia viver sem aquilo, sem aquela pessoa...
Nada é insubstituível, um hábito não é uma necessidade.
Pode parecer óbvio, pode mesmo ser difícil, mas é muito importante.

Encerrando ciclos.
Não por causa do orgulho, por incapacidade, ou por soberba.
Mas porque simplesmente aquilo já não se encaixa mais na sua vida.
Feche a porta, mude o disco, limpe a casa, sacuda a poeira.
Deixe de ser quem era, e se transforme em quem é.

Acerte em tudo que puder acertar. Mas, não se torture com seus erros.

Paulo Coelho

terça-feira, 26 de Janeiro de 2010

Enquanto a Brisa...


Enquanto a brisa trouxer teus beijos
escapados e perdidos do destino
a pairarem na neblina que me persegue,
distantes dos desejos,
longe da vontade da vida,
e sentir no ar seu desatino,
abraça-me com a mente,
forte, fortemente!
Teus abraços eternos,
trepadeira permanente
que a mim se agarra afincadamente
às paredes sólidas dos instantes que nossos são,
às vozes que de nós correm velozes,
sucumbindo aos gritos das vidas que apenas se cumprem!
Que a aragem silenciosa que na noite se abateu
não tombe tão sentida trepadeira que cresceu
presa de fragilidades assentes na âncora mais profunda!
Abraça-me com a mente,
forte, fortemente,
enquanto na brisa teus beijos a mim não chegam,
enquanto a brisa trouxer a tranquilidade efémera
e não poder entrar na serenidade eterna,
nas cinzas do meu corpo!

Graciete Belo Maciel

segunda-feira, 18 de Janeiro de 2010

Eu Sabia....



Eu sabia que o anseio do nosso encontro,
no tempo desperdiçado, perdido,
tinha o rumo já traçado, bem definido
e...de ti desconhecido!

Eu sabia que o esperado encontro,
depois de meus olhos te verem,
seria um desencontro...
Um encontro adiado...
No tempo indeterminado!

Graciete Belo Maciel

sábado, 16 de Janeiro de 2010

CAVALO Á SOLTA – Ary dos Santos



CAVALO À SOLTA

Minha laranja amarga e doce
meu poema
feito de gomos de saudade
minha pena
pesada e leve
secreta e pura
minha passagem para o breve
breve instante da loucura.

Minha ousadia
meu galope
minha rédea
meu potro doido
minha chama
minha réstia
de luz intensa
de voz aberta
minha denúncia do que pensa
do que sente a gente certa.

Em ti respiro
em ti eu provo
por ti consigo
esta força que de novo
em ti persigo
em ti percorro
cavalo à solta
pela margem do teu corpo.

Minha alegria
minha amargura
minha coragem de correr contra a ternura.

Minha laranja amarga e doce
minha espada
poema feito de dois gumes
tudo ou nada
por ti renego
por ti aceito
este corcel que não sossego
à desfilada no peito meu.

Por isso digo
canção castigo
amêndoa travo corpo alma amante e amigo
por isso canto
por isso digo
alpendre casa cama arca do meu trigo.

Meu desafio
minha aventura
minha coragem de correr contra a ternura.

José Carlos Ary dos Santos

GAIVOTA - Alexandre O'Neill



GAIVOTA

Se uma gaivota viesse
trazer-me o céu de Lisboa
no desenho que fizesse,
nesse céu onde o olhar
é uma asa que não voa,
esmorece e cai no mar.

Que perfeito coração
no meu peito bateria,
meu amor na tua mão,
nessa mão onde cabia
perfeito meu coração.

Se um português marinheiro,
dos sete mares andarilho,
fosse quem sabe o primeiro
a contar-me o que inventasse,
se um olhar de novo brilho
no meu olhar se enlaçasse.

Que perfeito coração
no meu peito bateria,
meu amor na tua mão,
nessa mão onde cabia
perfeito meu coração.

Se ao dizer adeus à vida
as aves todas do céu,
me dessem na despedida
o teu olhar derradeiro,
esse olhar que era só teu,
amor que foste o primeiro.

Que perfeito coração
no meu peito morreria,
meu amor na tua mão,
nessa mão onde perfeito
bateu meu coração.

Alexandre O'Neill

segunda-feira, 11 de Janeiro de 2010

Teus olhos, meus olhos...








Teus olhos meus olhos galgaram!
Inebriei instantes de êxtase eternos que se prologaram
e se quedaram. O relógio parou. Não vacilei! Fiquei!
E embebidos neste olhar uno, sincronizado, demorado...
Deslumbrados de encantamento neste mirar denunciador,
completámos tal quimera real de fulgor,
penetrante brilho de amor
a ditar palavras mudas saídas das estranhas,
do interior de nossas ilhas vulcânicas que abalaram sem previsão!
Teus olhos em meus olhos, tão grande alumiação!
Ó meu viajante que à ilha chegaste em vagas de maresia
trazendo ao meu mar a calmaria!
Nossos olhos claros, transparentes, verdes...
Verdes...acaso dos acasos que o acaso os ligou!
Abriram uma cratera verdejante de tamanha dimensão!

Graciete Belo Maciel

domingo, 3 de Janeiro de 2010

Ano Novo com este olhar...

Propositadamente quero começar este Novo Ano, desejando que se olhe as diferenças apenas como são: diversidade!

Desta forma, a Felicidade será mais abrangente, sem dúvida alguma.



Se nossos olhos virem a perfeição, que a vejam em todos nós.
Se nosso olhos virem a imperfeição, que a vejam em todos nós!
Não conheço ninguém que seja completo, perfeito!

quinta-feira, 24 de Dezembro de 2009

Natal de Um Dia

Não creio no Natal de um dia!
Não creio num dia feito de rituais
que se segue a outros tantos iguais
e precede a muitos que se seguirão!
Adornos, enfeites, árvores, luzes, presépios sem leitura, riqueza de fartura...
Ajuntamento de pessoas com pretexto, contrapondo dias infindos de desunião.
Presentes embrulhados em hipocrisia e desembrulhados com o gosto de tal amargura!
Trazem laços labirínticos com pontas de tantas direcções e perdições!
Presentes corrompidos por obrigação, sem ponta de emoção!
Amor com dia marcado, amor quantificado em escalas de valor material
e aos setes ventos apregoado, como se fosse mensurável!
Dia de troca de afectos fingidos, sem fuga possível!
Não creio neste dia de almas vazias que ao mundo se anunciam sensíveis,
de corações cerrados que de outrem se compadecem,
que descongelam com prazo marcado as emoções!
Amor sem franqueza, amor com decorações!
Creio no Natal de um qualquer dia,
de todos os que anoitecem e amanhecem!
Creio nos dias transparentes de sensações, livre nos sentires,
de amor sem aprisionamento, só por sentimento!
Creio nos dias de amizades declaradas, anunciadas,
sem condicionantes, sem constrangimentos, sem temores de dizeres!
Creio na integridade dos presentes de Natal de duração anual,
sempre a renascer, a crescer...
Creio na honestidade das palavras simples que da alma emanam!
Presenteadas, tesouros são guardados e enriquecidos no coração.
Não carecem de adornos e enfeites e encobrimentos e fingimentos!
Creio no chão que as acolhe que de fértil ergue e reconstrói seres humanos em todos os momentos.
Creio na singeleza do presépio, na despretensão dos seres humanos em todos os tempos,
no encantamento da vida que exalta sem hesitação, no amor sem condição!
Não creio neste dia marcado no calendário por imposição!
Não creio no Natal de um dia!
Creio nos dias em que o Homem celebra e faz acontecer a magia de só dia!
Creio neste Natal sem pretensão, sem ocasião!

Graciete Belo Maciel

domingo, 20 de Dezembro de 2009

Amor por Primeiro...


Se tivesse por inteiro o meu amor por primeiro...
Ah! Minha sombra companheira permanente!...
Meu eco do teu ser gravado na mente!...
Minha solidão escoltada por ti!...
Meu silêncio findado a escutar-te!...
Meu reflexo espelhado em cristalinas emoções!...
Meu eu a transparecer em ti por todas as razões!...

Meu eu em ti...teu eu em mim!
Nós em uníssono com a mesma voz!

Se por inteiro neste amor estivéssemos...
Seria a nossa justa e única perdição!
Toda a loucura e toda a pressa do prazer seriam alcançadas,
galgando sem qualquer perdão vãs fúrias eriçadas!
E em vagas gigantescas e certeiras que assolam o coração,
encharcava-o para todo o sempre da brisa da paixão,
deixando as marcas de tão grande inundação!

E se o amor por primeiro fosse contentamento?
Não se avistariam nevoeiros escondidos e acalentados,
neblinas em tristeza esquecidas, adormecidas,
envoltas em raios de sol de tão de pequeno comprimento de onda, propositadamente!
Só para se ofuscarem e a outrem, apenas!
Não são aprovados pelos olhares mais desvelados!
É nesta mistura que as enxurradas arrastam penedos aguçados e revoltados!
Tempos de calmaria com tanta ira, eternamente!

E se o amor por primeiro fosse um mandamento?
Deus meu a ti me confesso!
Perdidos se vêem pecados nas águas a boiar!
No fundo do mar encontrareis o verdadeiro amar!
Neste mar constantemente condenado à ondulação,
vereis dois seres alheios perdidos em si!
Somos nós, Deus meu!

Se o amor por primeiro fosse inteiro,
seria nosso em primeiro!

Graciete Belo Maciel

segunda-feira, 7 de Dezembro de 2009

Há quanto tempo...


Há quanto tempo...
meu corpo adormecido e minha mente entorpecida,
arrastando se foram nos dias que de iguais apenas passavam,
perdidos, deambulando nas longas e dolorosas noites gélidas sem fim, sucessivas!
Meus braços sem amarras presos ficaram
e enregelados se quedaram!
Em quimeras se atrofiaram!

Há quanto tempo...
Já esqueci o sol da emoção,
as noites mais longas de todas as noites,
o dia emergindo das tonalidade quentes que se fundem, sem pressa,
embalado pela nocturna felicidade de tamanha satisfação!
Já esqueci a magia de todos os recantos encantados,
o tempo que não acaba, sem hora marcada,
esquecido no anómalo prazer e rubor
dos corpos emaranhados no amor!

Há quanto tempo...
Que meu alento diluindo se foi na escuridão
e alastrando-se, invadiu meu corpo, minha mente, impiedosamente!
E meus gritos mudos e abafados,
tristes desígnios prolongados no tempo,
escutaram e seguiram todos os passos da alma, escrupulosamente.
Todos em vão, todos sem qualquer perdão!
A alma bradava no silêncio, palavras caladas, cansadas,
a ela chegando outras tantas sem retorno, repetidamente.
Incúrias!
E indagava na certeza o que não queria por certo, sem remissão.
Injúrias!

Há quanto tempo...
Que só creio em utopias que meu mar de ilha me ensina!
Linhas ilusórias que traça, perfeitas,
eleitas em mantos de oiro entendidos em outros tantos de prata,
jazidas emersas de brilhantes em bruto lapidados,
que adornam corpos puros, de tudo despidos,
ladeados por ondas que sem culpa formada neste mar se formam!

Há quanto tempo...
Vi meus amores duradoiros, em momentos,
volveram em correntes tortuosas, em tormentos,
e sem culpa formada serem afundados!
Vi meus amores serem incinerados,
reduzidos a cinzas e enterrados!
Como todos os amores...com igual fim!
-
Graciete Belo Maciel